quinta-feira, 1 de maio de 2008

Dica rápida

Essa veio fresquinha do Planalto Central na semana passada: se você tem interesse em prestar concursos pra Brasília, procure informações sobre os concursos para o GDF - Governo do Distrito Federal. Os salários são polpudos e muitas vezes os certames só são divulgados por lá. Eu já estou de olho!

domingo, 20 de abril de 2008

Lost na Montanha Mágica

Quatro dias sem telefone e internet depois, cá estou eu.

Coluna decente, amigos, só em maio: reta final do TJ-RJ, que será no próximo domingo. Já que o meu Fluminense perdeu pro Botafogo hoje, pelo menos não vou ter que me desconcentrar das provas por estar ali na Uerj, do lado do Maracanã, imaginando o que está acontecendo dentro do estádio, na final do carioca.

E vamos que vamos - eu no TJ, o tricolor na Libertadores - que a vitória é certa!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Não me venham com essa

Dia desses, num dos muitos sites em que gente inteligente publica colunas, deparei com um artigo sobre concursos. Grosso modo, o autor dizia que crianças não sonham em ser analistas da CGU ou algo que o valha, e que essa corrida para o serviço público é coisa de quem não anda muito a fim de enfrentar os sortilégios e as maquinações do mercado. Fazia, evidentemente, uma concessão às ditas "carreiras de Estado", como é o caso dos juízes e diplomatas. O resto é resto.

Um minuto. Vamos com calma. Muita calma.

Crianças sonham com as mais variadas carreiras, e são poucas as que chegam à vida adulta persistindo no seu sonho. Se me perguntarem de quantas lembro, só me ocorrerá uma única pessoa, hoje dentista e muito realizada. Não creio que com vocês seja muito diferente. Como dizia o título de uma música de Chico – belíssima, por sinal – sonhos sonhos são. Se assim caminhasse a humanidade, teríamos um mundo povoado unicamente por médicos, investigadores do FBI, professores, advogados e artistas dos mais diversos ramos, posto que são essas as míticas profissões que povoam o imaginário coletivo da petizada. Quem cumpriria as funções menos interessantes, só Deus Pai poderia responder. Minha mãe sempre fala, rindo muito, de um primo nosso que dizia querer ser palhaço ou lixeiro quando crescesse. Hoje, homem feito e pai de família, é analista de sistemas, servidor de um tribunal de contas estadual, recém-formado em Direito e bem feliz com suas escolhas. Com todo o respeito que tenho aos garis e aos palhaços, duvido muito que meu primo se arrependa de não ter persistido nos seus remotos sonhos de infância.

Acontece que a gente cresce, e cresce rapidamente. Nessa mesma velocidade, aprendemos que a vida é feita de escolhas e renúncias, muitas vezes dolorosas, mas necessárias. Além disso, temos bastante espaço para a decepção, o luto e o recomeço. Até os 7 anos, influenciada pelo meu avô microbiologista, desejava ser médica; comecei a me desinteressar pela profissão de modo inconsciente quando um câncer o levou de mim em 6 meses, a despeito de toda a evolução da medicina. Adolescente, quis ser produtora cultural porque era encantada por música, cinema e literatura, e precisei me formar e cair no métier pra descobrir que era um peixe fora d'água no meio de tanta loucura. O serviço público nunca significou pra mim um "prêmio de consolação", mas sim a escolha acertada que sempre esteve ali, por vezes latente, por vezes patente. Dentre tantos palcos para a encenação da vida profissional, não consigo enxergar algum mais adequado.

Toda essa discussão levantada gira em torno do "ideal de vida", que estaria supostamente atrelado a algumas carreiras; prestar concursos de forma difusa, como analista ou técnico de mil tribunais ou ministérios diferentes, seria "jogar no atacado". Ora, convenhamos: isso não faz lá muito sentido. Uma breve pesquisa seria suficiente para mostrar que grande parte dos agentes políticos que servem a carreiras de Estado passou por outros cargos de menor complexidade no serviço público, e que esses lhes deram a vivência e o respaldo necessários para que pudessem perseverar na batalha por seu objetivo maior. Nos dias de hoje, é inimaginável haver um indivíduo que persista na luta por um cargo público sem desenvolver o mínimo de interesse, ou até mesmo paixão, pela "coisa pública".

Vida profissional exclusivamente construída sobre facilidades não existe para quase ninguém. Setores privado e público têm suas próprias idiossincrasias, e cabe a cada um de nós decidirmos o que se enquadra melhor ao nosso perfil pessoal. Para mim, assim como, creio eu, para vocês também, o serviço público sério e bem prestado à população ainda é um ideal suficientemente grandioso a ser perseguido.

domingo, 13 de abril de 2008

Intermezzo

Aviso aos meus bons amigos que ando postando menos por motivo nobre: mudei-me semana passada e no meu novo e remotíssimo endereço banda larga simplesmente não chega. A grande vantagem, diz o meu lado Pollyanna, é que a paz e a falta de internet fácil farão os estudos renderem mais. A conferir.

sábado, 29 de março de 2008

As outras “cascas de banana”


Que vida de concurseiro não é fácil, todos nós estamos cansados de saber. É uma escolha que, muitas das vezes, traz consigo algumas renúncias difíceis. Com o tempo, a gente aprende isso.
Eu não fiz o caminho “clássico” de quem se dedica exclusivamente aos processos seletivos, que é largar o trabalho, esquecer finais de semana e mergulhar de cabeça nos concursos, com todos os seus percalços, frustrações e lances impressionantes. Larguei o dito “mercado” logo depois de me formar, e tentei realizar o sonho de seguir carreira acadêmica. Não conseguia ver bom futuro enquanto trabalhava como contratada numa fundação pública da esfera federal, com a perspectiva de ganhar pouco por quatro anos e, quando acabasse o governo, levar um belo pé no traseiro. Além disso, era subordinada a um chefe que, nomeado para o cargo por ser amigo do presidente da fundação, desconhecia sobejamente a “coisa pública” e me pressionava dia e noite para “tirar processos” com as próprias mãos de órgãos públicos e “levá-los pessoalmente” para a próxima instância em que deveriam transitar. Não havia santo que o convencesse de que isso não era possível. O que se seguiu à minha demissão a pedido foi ainda bem pior: o então presidente acabou exonerado sob uma enxurrada de denúncias de malversação de verbas públicas e investigações do Ministério Público. Não podia mesmo dar certo.

Cursei o mestrado como bolsista, bonitinha e certinha. Mas não tem jeito, amigos: há sempre um espírito de porco que vai interpelar você, perguntando o porquê de “só estar estudando”, como se isso fosse um demérito , vida fácil ou pura vagabundagem mesmo. Cansa ouvir comentários, saber de fofocas, ver a forma como as pessoas te olham. Virar concurseiro não te coloca numa situação melhor, nem te afasta desse tipo de desconforto. Apesar da minha loooooooonga experiência em conviver com esse tipo de situação, ainda escorrego nessas “cascas de banana” da vida, como se já não bastassem as que estão nas provas. Ok: nem sempre as pessoas fazem por mal, mas de boas intenções, bem sabemos, o inferno está cheio...

Hoje levei mais uma pancada dessas e foi bem ruim, até porque ainda estou me recuperando do “baque” do domingo passado, mas... que se dane! Se pudesse dar uma dica, uma única dica, seria a seguinte: você, que às vezes não tem grana nem pra passagem, que assumiu o risco e o custo emocional de seguir nessa grande aventura pública, é maior que tudo isso. Quando estivermos no cargo que queremos, levando a nossa vida da forma que sonhamos, tudo terá valido a pena. Muito. Só nós saberemos o quanto de suor e lágrimas foi empenhado nessa conquista.

... e fiquemos com as “cascas de banana” das provas, que elas já nos bastam.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Quando a mudança de estratégia não funciona


Passados tantos meses desde o último post, aqui estou de volta, e para falar de assunto bem novo pra mim: lidar com frustrações.

Durante toda a minha vida acadêmica, desde pequetita até hoje, sempre tive uma facilidade enorme pra aprender e tocar a bola. Pegar em livros quando chegava do colégio? Só por prazer. Sempre fui uma leitora compulsiva, graças ao bom Deus. Além disso, ou melhor, exatamente por isso, sempre tive um "desleixo simpático" com provas - elas nunca, jamais, me meteram medo. O máximo que conseguiram foi dar um friozinho no pé da barriga, e mesmo assim umas duas poucas vezes: detestava química e física com todas as forças de minh'alma, antipatia que me levou a renegar seus sortilégios com a convicção de um aiatolá. Ao fim e ao cabo, foram duas quase-recuperações, das quais me salvei com excelentes notas nas últimas provas do ano. Boa aluna, a moça.

No vestibular, tirei de letra e fiz bonito: 4ª colocada no curso de Produção Cultural da Universidade Federal Fluminense, com direito a 10 em Português na fase discursiva. Pontos suficientes pra ter passado muito bem pra cursos "sérios", como Direito e Economia. Mas não choremos o leite derramado; tinha 18 anos recém-completos, um monte de sonhos incríveis e nenhuma idéia do quanto era séria. Mas nunca é tarde.

Vieram o mestrado, o doutorado (que abandonei por total falta de estímulo financeiro e algumas pendengas de saúde) e... voilà!, os concursos. A batalha pra alcançar o cargo público que sempre desejei se anunciava difícil de cara, e trazia no sub-texto algo bem mais dramático: estava chegando o momento em que todas as facilidades pra passar de ano e entrar na faculdade cobrariam o seu preço.

Passar em concurso não é moleza; esse último ano, março-a-março, serviu pra me dar a exata dimensão do fato inconteste. Consegui tranqüilamente algumas classificações, mas daí a ficar numa posição que torne plausível a convocação a médio prazo... só em um único processo seletivo até agora. Claro que estudei absurdamente menos que muitas pessoas que sequer conseguiram se classificar como eu, culpa daquela falta de vontade e excesso de facilidade lá de trás. Comecei a me sentir mal ao pensar que tanta gente estuda 10, 12 horas por dia pra não conseguir nada, e eu, por me dar ao luxo de não colocar uma "pressãozinha" a mais, não consigo melhores posições nos rankings. A sensação ruim foi crescendo, crescendo... e, como diria Rita Lee, "um belo dia resolvi mudar".

O concurso da CGU, realizado no último domingo, afigurou-se como um "golden dream" pra mim: realizar prova da ESAF, que sempre achei ótima, concorrendo do Rio pra uma vaga em Brasília... o que mais eu poderia querer na vida? Tinha achado o trampolim do sucesso, e pra honrar oportunidade tão... oportuna, iria me virar em 200 Flavias, fazendo o que nunca fiz: estudar mil horas por dia, até a coluna pedir arrego, os olhos doerem, os quilos se acumularem na região do abdômen e a pele ficar tom amarelo-presidiário, como meu pai, horrorizado ao me ver tão esquisita, bem definiu. Foi um tour de force sem precedentes, um delírio, um "eu vou fazer o que tem de ser feito doa a quem doer" - e doeu em mim. Na hora da prova, aconteceu uma situação totalmente nova na minha vida, embora velha conhecida de narrações treouvidas: as mãos tremiam, o coração batia descompassado, mal conseguia ler e interpretar perguntas facílimas - havia um desespero de causa no ar. Ironicamente, recorrer aos expedientes que sempre reneguei me levou a assumir a "persona" estudantil de quem habitualmente os emprega. Resultado: ao que tudo indica, estou fora do concurso por quatro questões de Português de nível de dificuldade elementar. Quando penso nelas, que errei por excesso de nervosismo e insegurança, pelo "não é possível que seja tão fácil!", sinto ganas de ser tragada pelo chão. A terceira e última "experiência" nova foi chorar de raiva até ficar parecendo um sapo.

Mas passou a ressaca, e dia 27 de abril, finalmente, temos o TJ-RJ. Já escolhi que quem vai fazer a prova é a "Flavia Versão Tradicional", de comprovada eficiência em resultados, com o pequeno diferencial de quem aprendeu na marra que, ao contrário do "Elogio da Traição" de "Calabar", nem sempre o que é bom pra fulano também é bom pra mim.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O shedule impossível

Tentem acompanhar comigo:

1 - Concurso do CEFET-RJ: salário sem-vergonha, mas expectativa de aprovação e exercício rápidos. Prova no Maracanã cancelada em função da desorganização e da baderna generalizada. Sem nova data.
2 - Concurso TRF3-São Paulo: prova de digitação anulada após a interposição de inúmeros recursos. Sem nova data.
3 - Concurso TJ-RJ: prova suspensa depois do cancelamento do concurso da Polícia Rodoviária Federal, que lançou suspeitas de fraude e venda de gabaritos sobre a NCE, organizadora de ambos os certames. Sem nova data.


4 - BNDES: meados de janeiro de 2008.
5 - TST: meados de fevereiro de 2008.
6 - TRT-RJ: entre março e maio


É impressão minha, ou corro o risco de levar um "cano" federal (literalmente) com esses três concursos enrolados? Alguma prova vai acabar acontecendo no mesmo dia da outra. Ônus e bônus da escolha recairão sobre mim. Essa vida de concurseira tá ficando muito emocionante.